Escrita Sínica

Minha proposta, aqui, é simplesmente fazer História e Filosofia, mas do modo Chinês – Confucionista tradicional. Isso significa que incorporo a modernidade, mas me atenho a uma maneira de pensar que, em seu nível mais profundo, é universal e apropriada. Não sou chinês, antes que pensem: nem sou sínico ou cínico; apenas busco pensar dentro destas regras, que tomei como balizas dos meus argumentos. Os que desejarem saber mais sobre tudo que é dito aqui, leiam Confúcio; os que acreditam ver aqui um conjunto de regras dogmáticas, pensem antes de fazê-lo.

Confúcio disse - “Amo o antigo, e nele me inspiro”, o que significa: inspiramo-nos nos antigos porque, depois de séculos, o cerne de seu pensamento continua atual, e diz respeito aos problemas humanos. Tais pensamentos evoluíram em forma, para acompanhar o mundo: mas não mudaram em princípio, pois se atém, justamente, a humanidade.

Zisi, no Justo Meio, disse – “A educação é dada pelo Céu”, o que significa: é de nossa natureza estudar, e só compreendemos nossa natureza estudando. Assim sendo, é inevitável operar qualquer mutação sem o estudo.

Confúcio disse – “mestre é aquele que, por meio do antigo, revela o novo”, o que significa: compreendendo o fio condutor que engendra a existência, podemos revelar as coisas novas. Tudo já está presente em potencial, mas depende do sábio juntar as partes para descobrir o que ainda não foi manifesto. Eis o que se pode fazer ao se tentar pensar de “modo chinês”.

Confúcio disse – “os sábios não maltratam as palavras”, o que significa: escrevemos o necessário, afirmamos o que podemos, e defendemos o que cremos apropriado. Para que escrever milhares de palavras cansativas se, muitas vezes, uma simples sentença bem posta encerra uma discussão?

Zhuxi disse – “Ainda que tenhamos nossas propensões naturais, necessitamos fazer duros esforços no estudo e na prática para nos realizarmos”, o que significa: cada ser é um ser especial, que faz parte da Humanidade. Cada um deve descobrir suas propensões, e realizar-se a si mesmo. Esta é a única realização individual e autêntica, de fato.